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Publicação detalhada
Artigo: PREVALÊNCIA DA DOR DE DENTE E SEU IMPACTO NA QUALIDADE DE VIDA DE ESCOLARES DE 12 e 13 ANOS NA CIDADE DE PARÁ DE MINAS

Autor(es): Kelma Campos

 

Aluna: Kelma Campos

Orientadora: Profa. Dra. Maria Ilma de Sousa Gruppioni Côrtes

Programa de Pós-graduação em Odontologia da PUC Minas

 

RESUMO

A dor é um sintoma freqüente nas doenças bucais e causa impacto sobre o bem estar psicológico dos pais e das crianças (LOCKER; GRUSHKA, 1987). Embora a causa patológica principal das dores bucais seja a cárie, existem outras causas como trauma dos dentes, erupção dos dentes permanentes e a esfoliação dos dentes decíduos (SHEPHERD; NADANOVSKY; SHEIHAM, 1999). O levantamento de saúde no município de Pará de Minas não apresenta dados sobre a prevalência e impacto da dor de dente entre os escolares. Por ser reconhecida a gravidade do problema em outras populações, fez-se necessário levantar dados relativos à prevalência e a influência de fatores demográficos e clínicos. Sendo assim, este estudo teve o objetivo de mensurar a prevalência da dor de dente auto-relatada e do impacto na qualidade de vida de escolares de 12 anos de idade da área urbana da cidade de Pará de Minas, MG, Brasil. Além disto, a pesquisa avaliou a correlação da prevalência da dor de dente com os fatores demográficos, gênero, nível sócio-econômico, renda familiar, e escolaridade do chefe de família. Neste estudo transversal as escolas e as crianças foram selecionadas aleatoriamente, sendo 286 alunos de escolas públicas e 79 de escolas particulares. Os pais das crianças sorteadas assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido para que pudessem participar da pesquisa. As crianças foram submetidos a um exame clínico baseado no "Manual de Diagnóstico e Avaliacão : Saúde Bucal para Crianças e Adolescentes" (SUS, 1995), respeitando as normas da OMS, por uma examinadora previamente treinada e calibrada. Em seguida elas responderam um questionário para avaliar impacto dos problemas bucais no desempenho das atividades do seu cotidiano, o OIDP-infantil (Índice de impactos odontológicos no desempenho diário das atividades da criança). Para avaliar o nível sócio-econômico, os pais/responsáveis responderam ao questionário ABA-ABIPEME, complementando com a informação da renda familiar. A taxa de resposta foi 80,3%, tendo participado 323 das 402 crianças convidadas. Dentre os problemas dentários mais prevalentes, percebidos pelas crianças, a dor de dente foi relatada por 31,3%. O valor de Kappa inter-examinador no estudo piloto revelou boa concordância. Durante o exame, 10% da amostra foi re-examinada, resultando em um valor de Kappa excelente. O exame clínico demonstrou que 38,1% dos participantes apresentou lesão de cárie incipiente de esmalte, 30,3% lesão de cárie de dentina e 3,7% lesão de cárie com envolvimento pulpar. Um total de 2,2% das crianças tinha dentes com extração indicada e 3,1% já havia extraído pelo menos um dente permanente. A presença de restaurações dentárias foi observada em 39,3% do total de crianças examinadas. As crianças que relataram algum impacto nas atividades do seu cotidiano somaram 93,8% da amostra, sendo que apenas 6,2% apresentou C-OIDP=0. Dentre as que relataram impacto, a chance de alto impacto, foi 3,8 vezes maior (IC 95% = 0,84-1,84) para aquelas com dor de dente do que para aquelas que não relataram este problema (p<0,001). O alto impacto apresentou ainda relação estatisticamente significativa com outros problemas bucais como cárie ou buraco no dente (p=0,048), espaço entre os dentes (p=0,037), cor do dente (p=0,043) e mau hálito (p=0,001). Quando se realizou a análise do univariada, não houve diferença estatisticamente significativa entre gênero (p=0,178) e renda familiar (p=0,061) com a prevalência da dor de dente e nível socioeconômico (p=0,742). Apenas o grau de escolaridade do chefe de família (p=0,005) apresentou relação estatisticamente significativa com a prevalência de dor de dente.

 

Palavras-chave: Cárie dentária, dor de dente, qualidade de vida, prevalência

 

 

ABSTRACT

Pain is a frequent symptom in oral diseases and it affects the psychological well-being of both parents and children. (LOCKER; GRUSHKA, 1987). Although the main pathological reason for oral pains is caries, there are other causes such as trauma, permanent teeth eruption and deciduous teeth exfoliation. (SHEPHERD; NADANOVSKY; SHEIHAM, 1999). The seriousness of this problem is well acknowledged in many populations; however, the health survey that was carried out in Para de Minas did not colect any data on the prevalence and impact of toothache among schoolchildren. Therefore, the main purpose of this study was to measure the prevalence of self-reported pain and its impact on the quality of life of 12-year-old school children in the urban area of Para de Minas, a town located in the state of Minas Gerais, Brazil. In addition, the research assessed the correlation of prevalence of toothache with demographic and clinical factors, gender, socio-economic level, family income and the level of schooling of the head of the family. In this cross sectional study, the schools and the children were randomly selected, being 286 students from public schools and 79 from private ones. After being informed about the aim of the study, the children’s parents signed a free term of consent so that they could take part in the research. The children were examined by a well trained professional, following the guidelines of “Manual for Diagnosis and Assessment: Oral Health for Children and Adolescents" (SUS, 1995) and the norms of the World Health Organization. After the exam, they answered a questionnaire in order to assess the impact of oral problems on the performance of their daily activities: the Child-OIDP (Child-Oral Impacts on Daily Performances Index). The socio-economic level was assessed through the ABA-ABIPEME questionnaire answered by the parents, who also informed their family income. The response rate was 80,3%, and 323 out of the 402 children invited participated in the study. 31,3% of the children reported that toothache was one of their most common dental problems. Inter-examiner Kappa’s value in the pilot study revealed a high level of agreement. During the exam, 10% of the sample was re-examined, resulting in an excellent Kappa value. The clinical exam demonstrated that 38,1% of the participants presented incipient enamel caries, 30,3% had dentine caries and 3,7% caries with pulp involvement. Altogether, tooth extraction was recommended for 2,2% of the children and 3,1% had already had at least one permanent tooth extracted. Dental fillings were observed in 9,3% of all the children examined. In the sample, 93,8% of the children reported impacts on daily performances, and only 6,2% had C-OIDP=0. Among those who reported impact, the likelihood of high impact was 3,82 times greater (IC 95% = 0,84-1,84) for those who had toothache than for those who did not report this problem (p<0,001). High impact also showed statistically significant relation with other oral problems such as caries or cavity in the tooth (p=0,048), tooth space (p=0,037), tooth color (p=0,043) and bad breath (p=0,001). When the univariete analysis was performed, there was no statistically significant difference between gender (p=0,178) and family income (p=0,061), the prevalence of toothache and the socio-economic level (p=0,742). Only the schooling level of education the head of household (p=0,005) showed statistically significant relation with toothache prevalence.

 

Key-words: dental caries, toothache, quality of life, prevalence

 



Local:

Data de publicação no site: 10/09/2012


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