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Publicação detalhada
Artigo: DESEMPENHO DE CRIANÇAS COM ANTECEDENTES DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA EM PROVAS DE FONOLOGIA

Autor(es): Ana Teresa Brandão de Oliveira e Britto, Deborah Amorim, Ariana Nascimento, Giselle Carvalho, Denise Brandão de Oliveira e Britto

 

Introdução: A violência é um problema social e histórico presente em todas as sociedades. Acomete ambos os sexos e não obedece a nenhum nível social, econômico, religioso ou cultural específico. Sua importância é relevante tanto sob o aspecto do sofrimento, quanto ao impedimento de um bom desenvolvimento físico e mental que imputa às suas vítimas. Os efeitos da violência doméstica diminuem significativamente as chances de uma criança ter desenvolvimento integral e saudável, inclusive no que se refere à sua falae linguagem. Objetivo: O objetivo deste estudo foi estabelecer a relação entre a violência doméstica e alterações fonológicas em crianças recolhidas a abrigos, após terem sofrido algum tipo de violência na infância. Métodos: O estudo foi realizado com 62 sujeitos (45 meninos e 17 meninas) residentes em casas-abrigo e que foram submetidas às provas de fonologia do Teste de Linguagem ABFW. Os sujeitos foram divididos em quatro grupos, conforme o gênero e faixa etária: Grupo 1M (4 sujeitos masculino de 4 anos a 6 anos e 11 meses); Grupo 2M ( 41 sujeitos masculinos de 7 a 12 anos de idade); Grupo 1F (2 sujeitos femininos de 4 anos a 6 anos e 11 meses); e Grupo 2F (15 sujeitos femininos de 7 a 12 anos de idade). Para a análise dos resultados, considerou-se a faixa etária, o gênero, o tempo de abrigo (até 6 meses; 6 a 12 meses e mais de 12 meses) e os processos fonológicos presentes nas provas de nomeação e de imitação. Resultados: Com relação à variável gênero, 27 sujeitos masculinos (60%) e 12 sujeitos femininos (70%) apresentaram processos fonológicos inadequados para a idade nas provas de nomeação e imitação. Os processos de maior ocorrência foram a simplificação de líquidas (50%) e simplificação de encontro consonantal (45%). Outros processos também estiveram presentes na fala dos sujeitos pesquisados, porém com incidência menor. Na comparação entre as faixas etárias, para a prova de nomeação, houve diferença estatisticamente significativa no processo de simplificação de encontro consonantal entre os grupos 1M e 2M (p=0,008) e clinicamente significativa (p=0,053) entre os grupos 3F e 4F, em que ocorreu também diferença estatisticamente significativa para o processo de simplificação de líquidas (p=0,000). Este mesmo processo foi estatisticamente significativo (p=0,000) na comparação entre os gêneros na faixa etária de 4 anos a 6 anos e 11meses. Na faixa etária acima de 7 anos, 35% dos sujeitos masculinos e 33,33% dos sujeitos femininos apresentaram simplificação de líquidas. A simplificação de encontro consonantal esteve presente em 15% dos sujeitos masculinos e 20% do gênero feminino. A variável tempo de abrigo não apresentou diferença estatisticamente significativa. Conclusão: A exposição à violência doméstica na infância contribuiu para a manutenção de dois dos processos fonológicos de eliminação mais tardia na aquisição da fala. Crianças podem apresentar inadequações de fala decorrentes da submissão às diversas formas de violência (abuso, negligência, maus tratos) na infância. O fonoaudiólogo tem papel importante tanto na detecção quanto na notificação da violência infantil.

Descritores: Violência; Violência doméstica; Deficiências fonológicas; Fala



Local:

Data de publicação no site: 10/05/2012


Link do artigo completo: http://icbs.pucminas.br/conteudo/AnaTeresa2011.doc PDF Document

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